Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 25/10/07
Cabe-me a mim a árdua tarefa, não de relatar, mas sim de analisar, tudo o que se passou e foi dito no passado dia 13 de Outubro, a quando da Inauguração do novo Cemitério de Vilarinho.
A cerimónia propriamente dita teve início, 30 minutos depois da hora marcada, como é apanágio neste tipo de propaganda. O Sr. Presidente da Câmara chega sozinho no seu carro, para causar aquela boa impressão, mas só chega quando recebe a informação de que o local está bem composto e que o número de pessoas não tem tendência a aumentar. Utilizando o bom método Sócrates, peço desculpa, o bom método Eng. Sócrates (não consta que agentes da autoridade, mesmo polícia municipal, tenham andado a sondar a população para saber se iriam haver vozes de protesto)
Protocolo alterado, quem começa a falar primeiro é o presidente da Junta em vez do Reverendíssimo Padre Avelino, como se impunha.
O presidente da Junta deu início ao seu discurso de uma forma clara e apropriada à cerimónia, confesso que as palavras me surpreenderam e tocaram, mas a viragem de 180º que lhe impôs a seguir, passando a um discurso meramente politico e de ataque fortuito, nada condicente com a cerimónia, acabou por não dignificar em nada toda a simplicidade que era exigida ao momento.
Do discurso do presidente da junta, de salientar para além do discurso político, o pedido feito ao Sr. Presidente da Câmara pela Capela mortuária, em mais uma jogada ensaiada e orquestrada à boa maneira do Eng. Sócrates, o Presidente da Câmara já trazia consigo o projecto para a mesma, estranho. Um pede e outro, num passe de mágica tira o coelho da cartola (ou melhor, o projecto).
Só não consigo perceber, como é que numa obra que estava orçada em 500.000 euros, que acabou por custar 600.000 euros, não contempla no orçamento a construção da capela mortuária?
Até percebo… Como ainda faltam 2 anos até às próximas eleições, é preciso fazer render o peixe. Assim, certamente, teremos a inauguração da Capela Mortuária, lá para o segundo semestre de 2009, bem perto das eleições autárquicas.
De seguida tomou a palavra o Sr. Presidente da Câmara. Quem lá esteve e vai seguindo com atenção as visitas deste senhor à freguesia de Vilarinho, deve ter achado que a cassete é sempre a mesma. O discurso é sempre o mesmo! Já chega!
Que não tenha preparado o discurso, ainda se entende, mas que repita o mesmo de cada vez que vem a Vilarinho, já é abusar.
Passou 10 minutos a cumprimentar toda a gente que conhecia e que via à sua frente, chegando ao cúmulo de cumprimentar os órgãos de comunicação do concelho e a Rádio Vizela, presentes, esquecendo-se, vá-se lá saber porquê, do Jornal Entre-Margens. Começou por enumerar a grandiosidade do cemitério, dizendo que: “é o mais bonito do concelho”, uma obra que nos engrandece a todos, mas acima de tudo aos Vilarinhenses.
Para de seguida passar a enumerar uma por uma as obras que já executou na freguesia e que já todos sabemos quais foram: as obras do arranjo exterior à Igreja de S. Miguel de Vilarinho, o apoio ao Centro Social de Vilarinho, a requalificação da rede viária (300 mil euros para remodelar a ponte sobre o Rio Vizela (ponte da fundição) e 150 mil para a rectificação e pavimentação do caminho público, no Lugar de Agras), os terrenos cedidos aos escuteiros, as obras na junta de freguesia, o terreno cedido para a construção da sede da Sociedade Columbófila de Vilarinho e o subsídio para o arranjo dos passeios do cemitério velho (12 mil euros).
Não estamos já todos fartos deste discurso?
As promessas de futuras obras não passaram disso mesmo. Promessas que a freguesia reivindica há muito e que já passaram a ser conhecidas entre todos como sendo promessas com mofo: o arranjo à zona envolvente à sede da junta de freguesia (o projecto já está concluído), a recuperação da estrada 513 entre a VIM e o centro da vila (Vilarinho já é vila e nós nem sabíamos, acho que nem mesmo o PCP), cujo projecto está em fase de conclusão. Foi feito o anúncio público dos projectos de água e esgotos para Vilarinho (parte restante) (gostei da parte restante, como quem diz que a maior parte já está feita), bem como da negociação com a Águas do Cávado para a construção dos depósitos de água em alta.
Infelizmente o Sr. Presidente da Câmara esqueceu-se da “obra do século”, e que por muito que tentem eu não vou deixar cair no esquecimento.
Antes de considerar “obra do século” um cemitério que era necessário, isso não está em causa, não seria muito mais bonito e vantajoso, dar condições aos nossos idosos, para que possam passar os seus últimos anos de vida em paz e sossego, desfrutando da qualidade de vida que muitos deles nunca tiveram?
Onde está o tão prometido lar de terceira idade que o Sr. Presidente da Câmara ajudou a anunciar e disse que iria apoiar?
Esse não fez parte das suas promessas…
Porque será?
Mas acerca deste assunto voltarei a falar mais adiante.
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