Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 24/09/2009
Este fim de semana seremos confrontados com a primeira de duas eleições que iremos ter num espaço de um mês. A escolha de um novo Governo, é o objectivo desta eleição, que seguramente não dará maioria absoluta a nenhum dos partidos do chamado Bloco Central, PS e PSD...
A campanha eleitoral entrou na sua última semana, recheada de factos que pouco ou nada trazem de positivo à discussão política dos programas eleitorais. Andamos a discutir se a Presidência da República está sob escuta ou não, porque é que o Louçã tem PPRs, se o PS é um partido de direita ou de esquerda, se o PSD se quer transformar num partido do centro direita, quer dizer... Como nós muito bem dizemos na gíria, anda tudo a encher chouriços!
Aquilo que é essencial discutir que são os programas políticos e as ideias de cada partido e de cada candidato, acaba por ser passado para segundo plano...
As ideias e projectos que são aquilo que mais importa acabam por ser negligenciados pela comunicação social e por consequência pelos portugueses.
Isto leva-me a levantar a questão: com que conteúdo e de que forma nos são apresentados e discutidos os projectos e as ideias durante uma campanha eleitoral, quer seja ela nacional ou local?
A nível nacional as ideias têm de ser abrangentes e no fundo tocar no mais importante para as pessoas, o seu bem estar, quer social, económico e cultural. Os pontos chave de um programa eleitoral pouco variam de partido para partido, Saúde, Educação, Segurança, Justiça, Economia, Finanças, Infraestruturas... divergem é depois no seu conteúdo, uns a favor de umas coisas, outros a favor de outras.
Basicamente a campanha é feita e pensada para tocar todos os quadrantes sociais e ser o mais explícita possível para todos.
A nível local, apesar da escala ser diferente, o mesmo deveria acontecer...
Um candidato a Presidente da Câmara ou a Presidente da Junta, deveria sempre apresentar um projecto abrangente para o seu Concelho ou Freguesia. Um programa que deveria ser transversal a todas as necessidades da população e que não ficasse, como muitas vezes fica, por uma simples referência as obras rodoviárias que serão feitas nos próximos 4 anos.
Tal e qual como a nível nacional, a nível local também é preciso apresentar soluções para a Saúde, a Educação, a Economia, a Cultura, Segurança, Infraestruturas... É necessário ter uma visão realista do meio que nos rodeia e apresentar soluções que não passem só por colocar um paralelo aqui, colocar alcatrão ali, tapar um buraco acolá.
Hoje e cada vez mais, precisamos de políticos locais diferentes, que tenham um projecto, que apresentem ideias inovadoras, que sejam respeitadores, dinâmicos, que mexam com a população e nos quais a população se reconheça e com os quais se sinta motivada a agir.
Aquilo que às vezes vos pode parecer uma ideia sem sentido, se lhe for dada a devida oportunidade pode ser concretizada sem grande esforço, bastando para isso dinamismo e vontade da pessoa que a apresenta.
Não se deixem levar por aquilo que vos possam dizer, perguntem, questionem o porquê das ideias, como lá se pode chegar. Não ponham de lado à partida, um projecto ou uma ideia que pode significar um caminho diferente para o vosso Concelho ou Freguesia, um caminho melhor e DIFERENTE para vocês e para os vossos filhos.
Não tenham medo de novas ideias, de novos projectos, de novas pessoas, de um novo caminho para o vosso Concelho a vossa Freguesia.
Acima de tudo não tenham medo da MUDANÇA...
O sonho comanda a vida... Das grandes ideias que à partida pareciam sem sentido, surgiram as maiores descobertas do nosso Mundo...
Como tão bem escreveu António Gedeão e melhor cantaram Manuel Freire e Pedro Barroso:
“Eles não sabem, nem sonham,que o sonho comanda a vida.Que sempre que um homem sonhao mundo pula e avançacomo bola coloridaentre as mãos de uma criança.”
In “Pedra Filosofal”
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