Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 22/11/2007
Dizem que é parte da vida, que nos espreita e nos segue para onde quer que a gente vá. A verdade é que às vezes penso nela, penso nela tão rapidamente quanto a esqueço e volto aos deveres do meu dia-a-dia.
Muitas reflexões foram feitas sobre ela, existem livros em cima de livros que a descrevem, até existe quem afirme já a ter visto. Dizem que há formas de nos confortarmos quando finalmente ela nos vier visitar, essas formas têm vários nomes, a mais comum chama-se religião, mas existe também a ciência, a metafísica e a medicina. A verdade é que ela acaba sempre por vir, inevitável como o nascer de um novo dia. Se assim é porque nos preocupamos nós com isso? Ou se não nos preocupamos será que nos devíamos preocupar? Evitamos muitas vezes falar nela, contornamos ou mudamos de assunto, geralmente invocamos a sua maior rival referindo a conhecida expressão “é a vida”.
Não sei porque às vezes me lembro dela, penso que é normal e que acontece a todos nós em certos pontos das nossas vidas. O medo do desconhecido é normal no ser humano, geralmente este medo serve de inspiração para grandes feitos. Descobrimos continentes desconhecidos, aventuramo-nos no desconhecido universo e fomos à lua, talvez iremos a Marte durante os próximos 20 anos. Então porque temos nós medo deste desconhecido? Este medo pode ser a melhor coisa que alguma vez aconteceu à humanidade, o medo de não saber o que há depois da vida leva-nos a envergar por voos cada vez mais altos. Leva-nos a querer ser mais e melhores, a provar que é possível vence-la.
Sim, vence-la é possível, já muitos o fizeram e continuam a fazer. Essas pessoas desprenderam-se das suas regras terrenas e ganharam a corrida, não tiveram medo e agora são imortais. Quando morreu, no século XIX, o poeta Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes no seu cortejo fúnebre, em plena Paris. Newton no seu último adeus aos 85 anos teve o império Inglês a olhar para si e continuara como uma referência para as gerações futuras. Recordamos estes homens pelo que fizeram, de certo modo ainda vivem hoje em dia, vivem em mim e em ti e viverão nos nossos filhos e netos. Nem todos vamos ser Newtons, mas todos temos a oportunidade de nos tornarmos imortais, talvez não para todo o Mundo, mas sim na nossa comunidade, na nossa família, no nosso círculo de amigos. É por isso que penso nela, é por isso que tenho medo e é por isso que a uso para denominar aquilo que não quero jamais ser, apenas mais um…
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