Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 07/12/2007
Segunda-feira, dia três de Dezembro, 22:41:34. Sento-me no sofá da sala e ligo a televisão, faço um rápido zapping. Na RTP1 passa o “prós e contras”, o ministro da segurança social defende a sua ideia de “estado social”, discurso mais que rebuscado e ouvido montes de vezes. Enquanto isso, na RTP 2, passa o Jornal 2, quem fala é o cantor Alentejano Vitorino, paro e tento perceber de que fala. Está a apresentar o seu novo álbum, no decorrer do seu discurso, onde explica algumas das suas canções, fala na queda do Império, aludindo a perda das ex-colónias. Esta expressão “a queda do Império”, fez-me pensar na forma como, muitos dos impérios do nosso mundo, acabaram por ruir às mãos dos seus líderes. Mais cedo ou mais tarde, todos acabaram por claudicar e cair…
O poder, quando é demais, tem sempre um lado negativo. Como dizia um amigo meu, numa conversa de café, acerca do referendo que Hugo Chávez, realizou na Venezuela: “ele não sabe no que se está a meter, isto de ser ditador até é giro, mas basta ver agora o Fidel Castro, que com a idade e com todos os problemas de saúde que o chateiam, quer é que o deixem em paz, o deixem andar com o seu fato treino e as suas pantufas.”
Tudo tem o seu tempo, a sua hora. Quando se começa a perder o rumo e se chega ao ponto de não retorno fica difícil não cair em redundância e fazer sempre o mesmo.
Ou pior, que é fazer sempre ainda mais do mesmo…
Todos os ditadores do mundo, cometeram as suas loucuras. Todos eles se auto proclamaram reis e senhores de uma doutrina que levaria a bom porto as suas ideologias, todos realizaram grandes obras. Mas acho que nenhum deles, nas suas melhores tiradas, se lembraria de fazer a inauguração de um projecto, com toda a pompa e circunstância, de uma obra que só irá ter inicio dai a um ano.
Isto é digno de ficar registado nos anais da história…
Mas três (3) inaugurações numa obra só (será esse o objectivo?), deverão certamente, ser consideradas record do Guiness.
A propaganda, como qualquer bom ditador que se preze, é feita em todo o lado. Há sempre o Jornal do estado, que serve meramente os interesses do poder, um canal de televisão, ou então, à falta de melhor, pelo menos uma rádio.
Existem outros, que para além de tudo isto, ainda usam o dinheiro dos contribuintes, para se vangloriarem da obra feita. Repetem vezes sem conta fotos das mesmas obras, aproveitando também, para propagandear o seu partido, usando os meios do município para reproduzir as declarações de voto do seu partido.
Se Vitorino nos visitasse, não encontraria nenhum “mago sopro encanto”, nem nenhuma “nau de vela em cruz”. Para onde quer que ele olhasse não deslumbraria “terras de perdição”, veria, isso sim, um “parco Império de mil almas” com míseras obras em constante publicitação. Queda de um Império? Onde está ele?
Se procurarem bem o Império existe, o problema é que não está na forma material. Não está nas infra-estruturas para a população nem na melhoria das suas condições de vida, não está nas políticas sociais nem de desenvolvimento. O Império está na perpetuação do poder. Esse é o Império que importa destruir porque o outro, o que verdadeiramente interessa, ainda terá de ser erguido. Não por eles, mas por nós...
0 comentários:
Enviar um comentário