Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Face Oculta...

Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 11/02/2010

Não posso deixar de escrever sobre o assunto que despoletou o Jornal “Sol” no fim-de-semana passado, com a publicação das “Escutas Proibidas”.
O processo “Face Oculta” continua e vai continuar a dar que falar e pelos vistos, agora com o conhecimento público das escutas realizadas a Armando Vara, Paulo Penedos e companhia, a verdade (é como o azeite) acaba por vir ao de cima, pondo em causa as posições tomadas pelo Procurador Geral da República, pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, pondo mesmo em causa a própria justiça, que já andava pelas ruas da amargura.

Depois do processo encerrado na justiça, cabe agora aos cidadãos deste País à beira mar plantado, tirar as devidas conclusões, mediante as provas factuais apresentadas...

O Primeiro Ministro José Sócrates, aparece referenciado em todo o processo, como sendo o mentor de uma teia de jogos e interesses, envolvendo empresas públicas, como o PT, para controlar a TVI e o Jornal Público, meios de comunicação tidos como não alinhados com o “regime”. Ou seja, José Sócrates, com a cumplicidade de alguns amigos do PS infiltrados em algumas empresas públicas, tentou silenciar alguns órgãos de comunicação social considerados incómodos.

Após a leitura de todo o artigo publicado no Jornal “Sol”, Edição nº178 de 5 de Fevereiro de 2010, fiquei com a nítida impressão que anda meio mundo a omitir factos a outro meio mundo.
As escutas são claras de mais, para a justiça dizer que não existia nada que violasse a lei, qualquer leigo em Direito, como eu, percebe as conversas e os termos usados como demasiado claros para não serem tidos em conta pelos mais altos magistrados da Nação.

José Sócrates e os seus “discípulos” urdiram uma teia de interesses, com a qual pretendiam, para além de controlar os meios de comunicação, condicionar a acção do próprio Presidente da República, de modo a que este fosse obrigado a deixar cair o Governo e pedir novas eleições em 2011. Algo nunca visto na era pós-25 de Abril.

A megalomania e o culto da imagem, associados ao carácter pouco recomendável de José Sócrates, que para mim, depois do caso Universidade Independente, Freeport, Face Oculta, deixou à muito de ter condições de Governar o que quer que seja, muito menos o nosso Portugal à beira mal plantado...

Um Primeiro Ministro que passou impune, sem ter dado explicações ao País em qualquer destas situações, que de escândalo em escândalo vai deteriorando a imagem de Portugal no estrangeiro, tem neste momento dar explicações cabais a todos os Portugueses, ou então demitir-se e, como é lógico, não se apresentando de novo a eleições.

Eu acredito, como diz José António Saraiva, Director do “Sol”, que este não é o PS de Mário Soares, nem de António Vitorino, nem de Jaime Gama e muito menos de Manuel Alegre, nem de muitos outros, que não se revêem na forma de Governar de José Sócrates.
O PS defende desde sempre um estado Social, virado para o Povo, onde o Governo Governa para fora e não para dentro (basta ver que este governo bate o record de nomeação de assessores), olhando para o seu umbigo.
Toda estas histórias, fragilizam um Governo minoritário, já de si fragilizado, minam a credibilidade do País, que é já comparado com a Grécia em termos de problemas económicos, a quem as “ famosas” agências de Rating, dão como um País “perdido” economicamente.
Para onde caminhamos? Perguntam os Portugueses!
Está é a pergunta que fica...


Assim vai o nosso País, se bem que para nós que vivemos no Concelho de Santo Tirso, nada disto é novidade, há muito vivemos este problema de termos governantes que só olham para o seu umbigo.


Portugal tem de mudar!
Mudar de mentalidade,
Mudar de Cultura,
Mudar de Vida,
Muito mais do que mudar de Partidos ou de Governantes...

1 comentários:

Ditador disse...

Da facto a palavra "mudar" parece ser a palavra do momento. Até há que escreva livros com esse nome.

Há mais de 20 anos que ouço essa maldita palavra que teima em não se materializar.

Quando algo não funciona por mais de duas décadas temos de repensar se vale mesmo a pena aclamar mudança.

Em contrapartida, as ciências sociais dizem-nos que mudanças no comportamento da colectividade leva cerca de 20-25 anos a acontecer. Assim sendo, podemos estar à beira de uma mudança muito em breve.

A questão que se levanta porém é se a "mudança" vai ser para melhor...

Abraços