Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 25/03/2010
A Câmara Municipal de Santo Tirso tem já a decorrer uma vez mais este ano a iniciativa “A Poesia está na Rua”. O tema deste ano é “humor com humor se paga”, disse a Vereadora da Cultura à Comunicação Social que "humor nos faz ver as coisas de forma mais colorida", principalmente "em época em que tanto se fala de crise". "O programa promete animar o concelho e enganar a crise", assegura.
O programa promete 1 mês de animação no Concelho, de forma a que a população sinta a Poesia e o Humor inerente...
Não posso concordar o mais possível com esta iniciativa e o tema escolhido para este ano. Com a crise que estamos a atravessar, o melhor é mesmo rir de tudo de forma a que possamos esquecer todos os problemas que nos assolam os dias...
Não consigo é perceber as palavras da Vereadora da Cultura, quando fala em “enganar a crise”. Estamos a falar de uma Vereadora pertencente ao executivo da Câmara Municipal, do concelho com a maior taxa de desemprego do País. Terá pavor de encarar a realidade?
Eu até gosto de Poesia, especialmente de Florbela Espanca, que tinha uma Humor muito próprio, muitos dizem até, que de humor não tinha nada, devido a sua visão soturna da vida e do amor... A poesia enche-me a alma... Mas infelizmente não me enche a barriga senhora vereadora! E infelizmente, também não enche a alma a todos os munícipes!
Há muito que defendo nos locais próprios, a descentralização das actividades culturais no Concelho de Santo Tirso. Tenho a certeza que os moradores do bairro do Teles ficaram bem contentes com a visita da iniciativa a Poesia em casa. Gostava eu de ver essa iniciativa estendida às 24 Freguesias do Concelho...
Um mês de iniciativas poéticas, dão mais que tempo para o fazer... Só são precisos 23 dias... Pois a cidade já o teve.
“A Poesia está na Rua”!
Que seja nas ruas de todas as freguesias do Concelho de Santo Tirso...
Gostava de deixar aqui o meu contributo poético...
De Florbela Espanca
Em busca do Amor
O meu Destino disse-me a chorar:
«Pela estrada da Vida vai andando;
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor que hás-de encontrar.»
Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfiando...
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando...
Mesmo a um velho eu perguntei: «Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?»
E o velho estremeceu... olhou... e riu...
Agora pela estrada, já cansados
Voltam todos p'ra traz, desanimados...
E eu paro a murmurar: Ninguém o viu!...»
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