Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 21/02/2008
Titulo do Jornal de Notícias do passado Sábado dia 16 de Fevereiro:“Catástrofe em Santo Tirso”.
Já anteriormente, a 8 de Janeiro, o JN tinha publicado um artigo com o título: “Calamidade Social”, referindo-se a taxa de desemprego no Concelho de Santo Tirso.
Não me agrada nada ter de voltar a tocar neste assunto. Se o faço é porque acho que as evidências são demais para não ter preocupações, nem deixar de procurar explicações e responsabilidades para esta grave situação.
Onde estão os 1000 novos empregos prometidos pelo Senhor Presidente da Câmara? Na verdade, no último ano não foram criados os empregos prometidos, como ainda se perderam em Santo Tirso mais de 1000 empregos, com particular incidência na zona do Vale.
Não há volta a dar. A crise está instalada e não são apresentadas soluções.
Diz o artigo do JN que “Ponto assente Santo Tirso está deprimido. O drama é transversal a todo o Vale do Ave, mas uma taxa de desemprego de cerca de 16% - o dobro da média nacional, que foi, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, de 8% em 2007 - põe o concelho no topo dos números mais negros: uma em cada seis pessoas não tem trabalho”
Esta taxa pode ser explicada pelo encerramento de muitas indústrias têxteis nestes últimos anos, mas esta, não pode ser tomada, por si só, como a única razão.
Diz ainda o artigo que, “a região é fértil em mão-de-obra desqualificada, os jovens licenciados também não encontram emprego qualificado”.
“Dos mais de cinco mil tirsenses desempregados, quase três mil têm apenas o 4.º ano do Ensino Básico. Com a aposta feita em formação e salários baixos, uma indústria têxtil desfasada da competitividade de um mercado globalizado tem engordado as estatísticas.”
A falta de apoios governamentais às pequenas e médias empresas, a ausência de políticas fiscais camarárias de incentivo a criação e fixação de novas empresas, bem como a ausência de uma politica de ordenamento do território adequada e da criação de condições de atractividade que são da responsabilidade da Câmara Municipal, são também variáveis que conjugadas têm afastado os investidores do nosso concelho.
É público que a crise do sector têxtil não é recente. De facto há cerca de 2 décadas, que o sector têxtil entrou em depressão, situação que se vem agudizando, e que neste momento atingiu limites insustentáveis. O Presidente da Câmara de Santo Tirso foi assistindo passiva e pacificamente a este declínio.
As políticas para fazer frente ao desemprego e a situação catastrófica que o Concelho de Santo Tirso atravessa, são de todo desconhecidas, ou melhor inexistentes.
A única afirmação prestada pelo Presidente da Câmara no artigo publicado pelo JN é “Castro Fernandes diz-se "optimista". Acredita que a situação é "ultrapassável" e garante que tem promessas de "novos investimentos" por parte do Governo.” No entanto o Presidente da Câmara em Agosto de 2007, enquanto Presidente da AMAVE numa entrevista ao jornal “Público”, dizia o seguinte “…há cerca de um ano fomos falar com o Ministro do Trabalho, pedindo-lhe medidas claras para ultrapassar o problema do desemprego. Foi criado um grupo de trabalho e a última coisa que me disseram é que em Outubro aparecerão novidades”
Na mesma entrevista: o público lançou a Castro Fernandes a seguinte questão “Quantos PIN existem no Vale do Ave” a que este respondeu “Que eu saiba nenhum”. O Srº Presidente sabia que não foi lançado nenhum PIN mas não teve coragem de o dizer clara e frontalmente e escondeu-se na ambiguidade.
As populações de santo Tirso já perceberam que estão a pagar a factura do apoio incondicional de Castro Fernandes ao Eng. Sócrates, ao governo e às suas políticas, no que respeita ao nosso concelho.
Está Castro Fernandes mais interessado em defender o governo com quem recentemente se passeou em Santo Tirso, onde o Eng. Sócrates reuniu a sua equipa para fazer alguns anúncios para outros concelhos, do que as populações que nele confiaram? Santo Tirso, mais uma vez apenas serviu de “palco” ao Primeiro-Ministro e ao Eng. Castro Fernandes.
É preocupante, senão mesmo escandalosa a despreocupação do Presidente da Câmara pela situação actual. Exigiam-se medidas de fundo e objectivas para combater este flagelo. Em vez disso esperamos, como acontece noutras situações, que a solução chegue apenas do Governo.
Esta situação só vem confirmar o que há muito já se sabe. A subordinação do poder local ao poder central reinante em Santo Tirso.
Já não chegava a Saúde, as instituições públicas, agora também no desemprego Santo Tirso é completamente esquecido pelo Governo e pela Câmara Municipal.
0 comentários:
Enviar um comentário