Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 29/07/2010
Vamos imaginar que amanhã não podemos encontrar notícias sobre política nos jornais e demais meio de comunicação. Não existem referências à crise ou à proposta de revisão constitucional. O arquivamento do caso Freeport não é mencionado e a privatização da TAP nem sequer entra para as últimas páginas de um qualquer periódico sensacionalista. Vamos também já agora imaginar que as portagens nas SCUTs não têm honra de abertura nos telejornais e que nenhuma palavra é escrita em relação à subida dos preços dos combustíveis ou do café.
Fica então a pergunta, se vivermos num Portugal onde notícias de cariz político não fazem notícia com que noticias ficamos nós? Futebol talvez... Vamos então mais longe e imaginar que também as notícias sobre futebol não aparecem nos meios audio-visuais. Ninguém sabe o que vai acontecer a Carlos Queiros e as adivinhas Mundialistas do polvo Paul nunca sequerer tocaram o horário nobre. Sem todo este barulho notícioso que ensurdece os Portugueses, que notícias restariam para alegrar os nossos dia?
Notícias sobre um bom livro, espectáculo ou ciência parecem ser cada vez mais raras e curtas. Notícias sobre a boa crítica construtiva (política, artística, etc) que se faz em blogues ou jornais locais de tiragem reduzida não chega, ou não se quer que chegue, aos grandes canais de divulgação. A boa crítica que têm lugar fora dos grandes canais audio-visuais permanece inaudível ao comum Português. Quero deixar claro que não estamos aqui a falar de crítica feita por intelectualistas em círculos fechados, estamos a falar de pessoas como eu e você que acreditam num País mais justo, moderno e ponderado. O Portugal rural existe também na comunicação social. As grandes notícias Nacionais que têm honras de abertura nos telejornais são como a vida nas grandes cidades, intensas, imediatas, modas passageiras ao sabor de interesses camuflados. As boas e pequenas notícias fabricadas em jornais como este ou em páginas pessoais de autores comuns são como a vida no campo, sem excitação, lenta, mas com um fundo de verdade difícil de igualar. Imagino o quanto diferente seria Portugal se as pequenas ideias fossem ouvidas e as sensacionais notícias relegadas para terceiro plano. Cabe a cada um de nós continuar com a discussão construtiva num momento em que a sociedade necessita de novas e melhores ideias.
Para terminar deixo o leitor com uma nota provocatória. Sou da opinião que o ditado do famoso filósofo Françês falecido de pneumonia em Escotolmo não se enquadra à presente realidade. “Penso, logo existo” parece estar desproporcionalmente adequado aos tempos modernos de uma comunicação agressiva e pouco ponderada. Hoje, em pleno Portugal do século XXI será mais correcto dizer: Comunico logo existo, penso logo ninguém me houve... Ainda assim eu faço a minha parte, escrevendo periódicamente o que acho correcto num pequeno jornal, se todos fizermos o mesmo seremos suficientes para mudar. Mudar Vilarinho, Santo Tirso e por arrasto, mudar Portugal.
Como prometido...
Aqui fica a lista das obras há muitos anos de prometidas para Vilarinho. Só me deixarei de me referir a elas, quando uma por uma, forem sendo executas e concluídas, espero com isto manter na lembrança dos meus conterrâneos Vilarinhenses os anos a fio que levamos de promessas incumpridas.
Rede de Abastecimento de água
Rede Saneamento básico
Estrada de ligação a Paradela
Requalificação da E.M. 513
Capela mortuária e casas de banho no cemitério
Creche
Lar de Idosos
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