Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

Corruptos e corrupção...

Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 23/09/2010

Provavelmente, sempre que lemos a palavra corrupção, vem à nossa cabeça imagens de políticos, dinheiro, contractos, conversas privadas ao telefone etc.. Ou seja, produzimos sinónimos figurativos de corrupção que, só em muitas raras excepções, nos incluem a nós próprios. Qual é então o verdadeiro sentido da palavra corrupção e quais, se é que existem, as leis que a regem.

Comecemos então pelo significado da palavra. Corrupção é definida como uma deficiência na integridade, virtude ou princípio moral. Uma depravação, declínio ou indução de maus actos através de meios impróprios ou ilegais. Sou tentado em tom de brincadeira a comparar esta definição extraída do dicionário com algumas passagens de textos bíblicos que apelam à moral do homem e aos riscos da depravação. Mantendo ainda a anología religiosa, diria também que perante esta definição todos nós somos, fomos ou seremos, em algum ponto das nossas frágeis vidas corruptos, isto, apesar de muito raramente cada um de nós não se rever como uma pessoa corrupta. Estamos pois perante o famoso caso de "quem nunca errou que atire a primeira pedra".

Se todos somos corruptos, importa saber as dimensões que a nossa perda de moral acarretam. É claro que a perda de moral quando se copia num teste não se compara à perda de moral quando se forja um documento oficial, ou quando mentimos sobre o facto de seremos estudantes só para ter desconto na cantina em comparação com o tráfego de influências para aprovação de certos projectos. A repercussão destas perdas de moral têm como é óbvio efeitos bem distintos. Se é verdade que em principio nenhuma forma de corrupção é tolerável, também é verdade que devemos começar por erradicar aquela que causa mais danos e acarreta mais perda de integridade. Convém pois saber o que nos leva sermos "perigosamente corruptos" uma vez que todos somos "etimologicamente corruptos".

Tendo em conta que os valores morais, e por consequência a sua perda, vão sendo alterados geração após geração é complicado discernir quais os factores determinantes que contribuem para a corrupção. Um deles porém salta logo à vista, o poder. De facto tanto somos corruptos sendo um empregado ou patrão, mas com o aumento de poder aumenta também as repercussões da nossa perda de moral. Diria até que o aumento é exponencial, ou seja, basta aumentar um pouco o poder para os estragos da corrupção aumentarem em duas ou mais ordens de grandeza. Até hoje nehuma sociedade humana (nem mesmo as primitivas) viveu sem que determinados membros fossem mais poderosos que outros. Temos de admitir portanto que a existência de poder é inevitável e por consequência a existência de corrupção também.

Se é a corrupção é inevitável e o poder fundamental na nossa sociedade como podemos então diminuir os efeitos da corrupção? A resposta é simples e fundamental, repartindo o poder. Repartindo o poder votando e participando activamente na sociedade, repartindo o poder lendo os jornais dissecando o que é importante daquilo que é falácia. Repartindo o poder comunicando com outros aquilo que achamos certo e apontando o que avaliamos como errado, repartindo o poder escrevando e reeinvidicando publicamente que temos uma opinião própria.

E para terminar perguntam voçês. Isso é tudo muito bonito de se dizer, o problema é que existem pessoas que não mudam, que são e serão corruptas que têm e terão poder. É certo que não podemos mudar os outros, mas podemos sempre não ser como eles. Já que todos somos etimologicamente corruptos resta-nos apenas tentar ser moralmente coerentes.

Como prometido, aqui fica a lista das obras há muitos anos prometidas para Vilarinho. Só deixarei de me referir a elas quando, uma por uma, forem sendo executas e concluídas. Espero, com isto, manter na lembrança dos meus conterrâneos Vilarinhenses os anos a fio que levamos de promessas incumpridas.

Rede de Abastecimento de água
Rede Saneamento básica
Estrada de ligação a Paradela
Requalificação da E.M. 513
Capela mortuária e casas de banho no cemitério
Creche
Lar de Idosos

1 comentários:

Ditador disse...

Boas palavras...