Terça-feira, 29 de Março de 2011

Nós e eles

Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 03/03/2011 Sem ninguém prever, sem um “líder” que os orientasse, fruto apenas de uma convicção em algo real mas indefinível que dá pelo o nome de liberdade. Em linhas gerais, esta podia muito bem ser a descrição dos eventos que levaram o povo Tunisino a iniciar um efeito dominó de esperança através do norte de África. Depois do difícil Egipto segue-se a quase impossível Líbia. Num eco um pouco mais distante, no reino do Bareihn, negociações já se iniciaram para melhor incorporar as minorias étnicas e proceder a uma melhor distribuição de oportunidades fruto das riquezas naturais do país. Numa mais próxima, Europa, olhamos com agrado as notícias que sopram do lado quente do Mediterrâneo. Exibimos a alegria, diria “standard”, de alguém habituado à tradição democrática do voto, das sessões no parlamento e da pluralidade de ideias. Estamos em geral alegres por países vizinho (que muitos só conhecem pelas piores razões) darem o primeiro passo para a representatividade popular. Esta alegria que nos contagia pode no entanto ofuscar algo de muito mais sério, pode ofuscar as lições que nós devemos aprender com os nossos semelhantes Tunisinos e Egípcios. O norte de África é um palco extremamente sensível em termos políticos. A Europa olha para o norte de África com um misto de simpatia e preocupação. Simpatia pois até agora o norte de África serviu de tampão efectivo à insurgência de grupos islamitas radicais. No seu discurso a 28 de Fevereiro de 2008 na Tunísia, Sarkozy também foi bastante claro sobre as opções do povo Tunisino. Ou co-habitavam com um ditador amigável ou se sujeitavam a um regime tipo-taliban no norte de África. Esta dualidade de opções é muitas vezes apresentada ao povo como verdades imutáveis. Por exemplo, aquando dos ataques do 11 de Setembro, as opções de J.W. Bush para o resto do Mundo eram simples. Ou se estava do lado dos Estados Unidos da América, ou se estava do lado dos terroristas. Depois das revoltas na Tunísia e Egipto, existe agora a preocupação se a estrutura política dos países em questão tem ou não a maturidade suficiente para conduzir as reformas necessárias. Muitos apelam para o perigo de extremistas islamitas se instalarem no norte de África. Em França e Itália soa o alarme a possíveis vagas de emigrantes que decidam encontrar nas costas da Europa um refúgio aos tumultos de Tripoli. Com tal variedade de possíveis cenários a dualidade de opções deixou de existir, algo que apoquenta qualquer político. Vejamos agora o que se passa no nosso país. O governo inunda televisões, jornais e rádios presenteando o País com apenas dois cenários possíveis. Ou o governo executa o seu orçamento ou não tem condições para governar. Comentadores políticos postulam se o recém-eleito Presidente da República dissolve ou não o parlamento. Os exemplos são vários. Parece que a mente política não consegue lidar com mais que duas opções. O que fica demonstrado pelos acontecimentos no norte de África é que não existem só dois caminhos possíveis como muitas vezes nos é dado a entender. O que a Tunísia ou Egipto farão com a liberdade conquistada é, a bem dizer, irrelevante. Não estamos limitados a duas opções, em geral ambas más ou nenhuma boa, dependendo da perspectiva. Existe sempre um terceira, quarta ou quinta via. Esta é a grande lição que a Europa, e em especial Portugal, deve retirar dos acontecimentos recentes. Em Portugal o governo faz-nos crer que é impossível outro caminho que não o seu. Há dois meses atrás ninguém acreditava que um grupo não coordenado de Tunisinos fize-se cair vinte e quatro anos de ditadura, provando que o impossível afinal até acontece.

Segunda-feira, 7 de Março de 2011

Fim-de-Semana de “Festa”

Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 15/05/2008

Vilarinho vestiu-se uma vez mais de gala para celebrar a sua festa anual. No passado fim-de-semana realizou-se a Festa de Nossa Senhora do Rosário, festa que atrai à nossa freguesia muitos forasteiros, sejam eles filhos da terra que se encontram longe e voltam para recordar os tempos passados, sejam eles pessoas que das freguesias vizinhas, correm como a muitos anos já o fazem, para participar nestas grandiosas festas.
O objectivo é comum, demonstrar a sua devoção pela parte religiosa, mas também aproveitar a parte pagã da festa.
A comissão de Festas, como sempre acontece, com todo o empenho e autroismo que é necessário numa situação destas, conseguiu mais uma vez manter a tradição e erguer, para orgulho de todos os Vilarinhenses, uma grandiosa festa.
Eles, acima de todos os Vilarinhenses, estão de Parabéns e merecem todo o nosso respeito e admiração.
Se a tradição se mantém, ainda nos dias de hoje, apesar de todas as condicionantes, quer económicas, quer mesmo sociais, é pela vontade das gentes de Vilarinho. Que amam a sua terra e que desejam manter vivas as suas tradições.
Um bem-haja a todos os quantos já passaram pela organização das Festas de Maio.

Motivos de interessa restantes neste fim-de-semana, o final dos dois campeonatos da Liga Profissional de Futebol.
Na primeira Liga à muito que o campeão estava encontrado, restando só a decisão de como ficariam dispostos as 3 equipas seguintes. Nada se alterou na última jornada, O Sporting, o Vitória de Guimarães e o Benfica fizeram o que lhes competia e ganharam os respectivos jogos. Assim, e para desilusão de muitos, o Benfica terminou no quarto lugar, o que o deixa fora da pré eliminatória da Liga do Campeões. Não percebo muito de futebol, nem me vou por a fazer conjecturas, mas penso que este é um mau resultado para a instituição Benfica, bem como para os seus cofres. A direcção presidida por Luís Filipe Vieira, tenta a todo o custo desviar as atenções dos benfiquistas para tudo menos para a crise que o clube atravessa. E agora sem o dinheiro da Liga dos Campeões, como vai ser?
Uma surpresa, Vitória de Guimarães. Praticou o futebol mais bonito da Liga. Merece o lugar que ocupou no final do campeonato, um pouco pela falta de estabilidade dos dois grandes de Lisboa, mas a verdade é que fez o seu campeonato e terminou na terceira posição por mérito próprio. Espero agora que faça uma boa figura na pré eliminatória da Liga dos Campeões e que dignifique o futebol Português.

Na segunda liga a frustração foi total para os lados de Vizela. Depois de um campeonato inteiro a lutar pela subida, a última jornada foi madrasta para as gentes de Vizela.
O Vizela precisava de ganhar ao Olhanense e esperar que o Feirense derrotasse o Rio Ave, até aos 85 minutos de jogo tudo se conjugava para o Vizela fazer a festa, mas nesse minuto fatídico, o Rio Ave marcou em Santa Maria da Feira e deitou por terra as aspirações dos vizelenses.
Seria um regresso mais que justo ao primeiro escalão do futebol nacional. O Vizela lutou até ao fim para conseguir esse objectivo. Mas como vi escrito no Jornal de Notícias de segunda-feira passada: “A corrida terminou, a emoção regressa em Agosto, no pico do Verão. Antes porém, ainda pode haver festa. Se a Liga de Clubes, como prometeu, apertar o cerco aos incumpridores, pode ser que suba mais alguém. Não chores ainda, Vizela”. Como clube cumpridor das suas obrigações o Vizela pode ainda aspirar a um lugar entre os grandes do futebol português.
Vou esperar para ver, quais as consequências reais das decisões tomadas no processo apito final…

Terça-feira, 1 de Março de 2011

Dar água sem caneco...

Texto publicado no Jornal Notícias do Vale de 17/02/2011

O fim de semana passado, por obrigações laborais, vi-me obrigado a empreender uma viagem de duas horas e meia pelos céus da nossa velha Europa, como teimoso que sou, pregar olho em viagens de avião não é comigo, tento resolver o problema do tempo que nunca mais passa, usando o mais típico dos antidotos, ler..

Ler é sempre uma boa solução.. Das duas uma, ou se adormece, ou, num abrir e fechar de olhos, acabamos por chegar ao nosso destino, sem dar por ela sequer que 10 minutos passaram... Claro que para isto acontecer é preciso que a leitura seja interessante e do nosso agrado...

Devo confessar que desta vez tive várias surpresas... Decidi comprar dois títulos que estão presentes nas nossas bancas há já largos anos... Desses dois títulos gostava de realçar a revista de um deles, quase a chegar ao seu número 2000. Refiro-me a revista Única, que faz parte do Jornal Expresso, nas bancas todas as sextas feiras.

De duas horas e meia de leitura, gostava de realçar um artigo de opinião assinado por Luís Pedro Nunes, que tem como sugestivo título “Podem os deputdos beber água da torneira?”
O artigo versa sobre uma proposta apresentada na Assembleia da Republica para trocar o uso de Água engarrafada, por água da torneira. Pelos vistos a Assembleia da Republica consome a módica quantia de 4000 garrafas de água por mês.
As desculpas e explicações são muitas para o Presidente do Conselho de Administração da Assembleia da Republica, Deputado José Lello, recusar a proposta da troca da água engarrafada por água da torneira.

A mais absurda é a explicação de que seria necessária mais gente do que a que a Assembleia da Republica possui hoje em dia, para recolher, lavar, encher e voltar a colar no seu lugar as canecas de água que seriam usadas, para transportar a água da torneira.

Luís Pedro Nunes, termina o seu artigo com a seguinte frase:

“Assim e após aprofundada análise parece-me existir uma solução que serve os interesses da Assembleia e as finanças da nação. Quando os deputados tiverem sede levantam a bunda e enchem os jarros. Se estes estiverem sujos, lavam-nos. É complexo, bem sei, mas exequível.”

Serve esta minha introdução para finalizar com uma chamada de atenção que nunca é demias relembrar...

Enquanto uns, lá sentados do alto das suas poltronas, discutem se devem beber água engarrafada ou água da torneira, há outros que vivem no feudo de um tal Engenheiro, que nem água engarrafa nem água da torneira... Bebem água inquinada e é se não querem, ao contrário de alguns que a têm de borla, ir ao supermercado gastar do seu parco orçamento, alguns euros para comprar água engarrafada.

Em pleno século XXI, continua a ser uma tremenda falta de respeito a não existência de água canalizada em toda a extensão da freguesia de Vilarinho.
Tantos e tantos anos de promessas e de espera e nem a luz ao fundo do túnel se avista...

Gostava por fim, de deixar expresso neste meu texto, a minha solidariedade para com a população de Paradela, que, uma vez mais, está a ser enganada pela Câmara Municipal de Santo Tirso e pela Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Vilarinho.

A anunciada 1ª Fase da obra da Estrada de Paradela, e para que de uma vez por todas fiquem esclarecidas as dúvidas, diz respeito a estrada que vai desde o cemitério até ao cruzamento para o Mosteiro.

Podem chamar-lhe o que quiserem...
Para mim não é da Estrada de Paradela que estamos a falar.

A Estrada de Paradela, começa no cruzamento para o Mosteiro e vai até ao Alto de Paradela. Essa sim é a Estrada de Paradela e aquela que mais falta faz a populção que todos os dias tem que deslocar nela.

Uma promessa mais, que apesar de anos e anos de falatório, teima em realmente sair do papel...